quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Diferenças significativas, outra abordagem

                                    Diferenças significativas, outra abordagem



     Estigma e esteriótipo. Barreiras intransponíveis quando os sujeitos marcados por aqueles não são recepcionados por sujeitos capazes de valorar propositivamente as diferenças significativas, que Ligia Amaral (1998) conota: “ [...] pode-se pensar a anormalidade de forma inovadora: não mais e somente como patologia – seja individual ou social – mas como expressão da diversidade da natureza e da condição humana, seja qual for o critério utilizado.” (AMARAL, 1998, p.21)

    Assim como o episódio ocorrido em 2017, relatado neste blog, através da postagem Diferenças significativas, publicada em 01/12/2017, neste ano letivo, na turma na qual leciono, me deparei com uma situação marcada pelo esteriótipo gravado a partir dos aspectos altura e idade. A aluna em questão, está "fora" da idade e altura esperados para o Ano cursado, qual seja, o terceiro ano do Ensino Fundamental. Para agravar a situação, a aluna adentra pela segunda vez o Ano citado, sem as habilidades para leitura e escrita, portanto, o estigma foi fomentado sobre o tripé elencado.

     Ligia Amaral (1998) advoga que devemos inovar ao nos defrontarmos com as diferenças significativas e ao valorar como diversidade da natureza e condição humana as características  do sujeito definido anteriormente foi possível traçar estratégias para incluí-la no grupo.

     Como no ano de 2017 houve muita dificuldade para avançar no atendimento à aluna que apresentava diferença significativa, executei as demandas cabíveis e possíveis no ambiente escolar e junto à família para que a estudante pudesse avançar na hipóteses da escrita e para auxiliar neste propósito, solicitei que a família fizesse uma visita a um profissional da saúde, pois havia suspeita de que a menina não estava com a visão em pleno funcionamento. 

    A família prontamente procurou recurso, sendo diagnosticada a necessidade da estudante utilizar óculos e este foi providenciado rapidamente. O resultado foi impressionante, pois a aluna começou a ler e a escrever no final de abril, resultado auspicioso, pois ainda haveria bastante tempo para que ela pudesse avançar nas hipóteses da escrita, na produção textual, na compreensão de diferentes gêneros textuais. 

    Esta mudança de paradigma no que se refere à condição que a aluna vivenciava, propiciou a ela a condição que facilitou a interação da mesma com os colegas, pois a menina estava retraída pela ausência de habilidades e competências para a escrita e a leitura. Ao interagir com mais segurança, a questão da altura e idade foi se tornando tênue e agora, neste final de ano letivo, posso afirmar que há muito respeito pela colega e as três diferenças significativas tornaram-se diversidade e condição humana.

Referências:
AMARAL. Ligia. DIFERENÇAS E PRECONCEITOS NA ESCOLA: Alternativas teóricas e Práticas. Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e sua superação.Julio Groppa Aquino (org.) São Paulo Summus Editorial, 1998.   Disponível em:  https://acessibilidade.ufg.br/up/211/o/Sobre_crocodilos_e_avestruzes__Ligia_Amaral_1_.pdf?1473202737 Acesso em: 11/12/2019
 

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