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terça-feira, 5 de julho de 2016



                           

                                Homem e a Desalmada  
                            

Era um dia como qualquer outro.  A não ser pelo frio gélido, que sem cerimônia chegou e acomodou-se como ser supremo que tudo pode. Um dia como qualquer outro, a não ser pela inesperada comunicação judicial que tirou Homem  de sua eterna crença na humanidade.

- Homem! Suba ao departamento de pessoal!  O interfone emudece, tal  qual o crédulo sujeito.
Homem se dirige até o setor e, tenta enquanto pula dois degraus de cada vez, descobrir o que pode ser motivo para tirá-lo do trabalho exatamente quando está  encerrando o expediente.
- O Oficial de Justiça está na sala ao lado esperando você, cochicha a colega que recebeu o funcionário da justiça.
Deste momento em diante, quem convivia com Homem conta que ele deixou para trás a crença na humanidade que beirava a inocência.
Além da crença perdida, Homem perdeu o escrúpulo que sempre norteou seus passos e vociferou:
-Mulher desalmada! 

Os olhares atônitos silenciaram toda e qualquer palavra, que o momento sugeria, pois o grito foi profundo, pungente.
Aquele foi o primeiro dia de todos os outros que Homem viveu sobre o efeito deste grito, que como faca afiada perfurou sua alma intacta.
- Dr. Sem cerimônia. Esclareça quais são as possibilidades. Preciso me defender! Ela quer tudo, apesar de tudo ter sido oferecido enquanto juntos estivemos. Viagens, boa casa, estudo no exterior, boa escola para nossa filha. Foi embora. Respeitei. Levou nossa filha. Entendi. Agora quer o que sobrou?
- Quais são as possibilidades diante desta absurda requisição de mais e mais?
- Acredito que nenhuma, Homem.  O sr esqueceu que não procedendo aos trâmites que a separação exige sob a ótica legal, ela continua sendo sua esposa e pode exigir o que ainda restou?
Homem olha para o advogado e nada vê, pois a visão agora embaçada somente enxerga o passado.
Sai de cabeça baixa, sem olhar para trás. Sem ilusões. Caminha e enquanto o frio que tudo pode aquece sua face, lembra-se de como era bom nada ter, poder a qualquer instante sair e percorrer lugares já visitados e visitar lugares desconhecidos. Sentiu-se leve, tranquilo e percebeu que o passado até há pouco presente, não passava de uma tênue lembrança.
- Dr. Comunique a quem é devido que está tudo certo. Desalmada ficará com o que deseja.
Homem seguiu a caminhada na gelada manhã de domingo.  

                              




sábado, 25 de junho de 2016



                                     O Outro e Eu

Indiscutivelmente a Interdisciplina de Música na Escola ofereceu espaço para que pudéssemos vivenciar aquilo que nos faz gente, melhor dizendo humanos, qual seja, interagir com o outro, tocar, cantarolar e movimentar o corpo embalados pelo som.
É inegável que nas aulas presenciais nos divertimos muito ao som das batucadas e cantorias da professora Leda Maffioletti, do professor Evandro Alves e da professora Luciane da Costa Cuervo.
Para exemplificar, cantamos e encenamos a Parlenda das Caveiras, com a professora Leda como maestrina e enquanto executávamos, ríamos e tentávamos acompanhar os gestos propostos.
Quanto às indicações oferecidas pela Interdisciplina, destaco a parlenda  A velha a Fiar que tem rendido desde o mês de abril solicitações dos alunos para que cantemos a mesma.
Com a finalidade de ampliar as possibilidades que esta parlenda suscitou, sugeri que os alunos fizessem em grupo uma sequência de gestos que pudesse acompanhar a mesma e o resultado foi muito bom, pois todos estavam motivados e participaram da elaboração.
Assim como houve interesse em participar das atividades propostas, também houve empenho de muitos alunos em cantar para os familiares e muitos daqueles fizeram o relato de que seus pais, mães e avós conheciam a parlenda e isso provocou neles uma alegria imensa.
Segundo Leda Maffioletti (2011)

“Assim, quando ensinamos uma música a uma criança, não só estamos estreitando nossos laços com ela, mas também lhe ensinando meios de inserir-se na cultura, porque esta criança não vai cantar somente para si mesma. (MAFFIOLETTI, p.12, 2011)


Pois foi esta a relação que fiz logo que escutei o relato após os alunos terem relatado que cantaram para seus familiares, qual seja, aqueles sentiram parte de algo e isto denomina-se cultura.
Portanto, interagir, (re)criar, vivenciar são condições humanas e na contemporaneidade nada mais urgente do que cantarolar, dançar, tamborilar, assobiar.

Referências:
MAFFIOLETTI, Leda de Albuquerque A música na infância e as experiências de compreensão do outro. 2011. p.12 Disponível emhttps://moodle.ufrgs.br/mod/folder/view.php?id=1007079 Acesso: 25/06/16




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