terça-feira, 8 de dezembro de 2015





                                                Felicidade em Cápsulas

Indiscutivelmente as crianças estão expostas aos mais diversos estímulos para que sejam elas a decidir sobre o que querem consumir, desde a comida até o modelo do celular. Entre aquelas e os pais há a mídia sedenta por aumentar o número de consumidores de tudo o que pode ser vendido, e entre as novidades há a venda da felicidade hoje oferecida em “frascos” de todos os feitios e tamanhos.

A mídia descobriu o quanto as crianças até os 12 anos são vulneráveis, tanto quanto as relações familiares e apostou nos talentos e investimentos para ter este filão à disposição da ferrenha disposição em aumentar os lucros.

Consequentemente as peças publicitárias são elaboradas tendo como o sujeito central a criança. Crianças felizes ao vestirem e calçarem uma determinada marca, acessando tecnologia em grupo, fazendo refeições com os pais regadas a comida instantânea. Felicidade em cápsulas. Prontas para serem vendidas a quem puder pagar o preço aferido.
Concluo com uma frase proferida pelo professor Mário Sérgio Cortella, proferida no Fórum Internacional Criança e Consumo, 2011,“...consumo não está atrelado às crianças, mas  de fato é uma educação coletiva...”

                                                             

                                             

terça-feira, 1 de dezembro de 2015






                         Infância e o seu lugar no mundo

São indissociáveis os conceitos Infância e Modernidade. Um signo que baliza a Modernidade em seus primórdios é a razão. Portanto a inclusão da criança como devir do adulto calcado na razão, confere a partir deste período um lugar para a criança, uma Categoria Geracional, qual seja, a Infância ocupando um lugar específico na sociedade.
Se a partir da Modernidade a criança como parte de uma categoria, ocupa um lugar na sociedade, então passa a ter o seu cotidiano administrado de maneira organizada pelos regramentos elaborados pelos adultos. A administração simbólica da infância é um conjunto de regramentos, roteiros escritos e inferidos. Como se portar, onde circular, com quem se relacionar são inerentes à cada sociedade, portanto as pluralidades no ser criança nos permite concluir que temos infâncias.
A institucionalização é o meio pelo qual a Infância é recepcionada na sociedade e aquela se dará a partir da escola e da família e estas instituições aplicam os regramentos e os roteiros elaborados.
Indissociável das instituições família, escola e infância na Pós-Modernidade  está a globalização a instituir a infância mundial, acarretando redefinições na  administração da vida das crianças, incrementada pela  Convenção dos Direitos da Criança, UNICEF, OIT, OMS, associadas aos regramentos que cada sociedade elabora. A globalização da infância é resultado de mudanças econômicas, políticas, culturais e sociais que impactam as instituições que recepcionam as crianças.
Por conseguinte, a globalização influencia o cotidiano nas sociedades e acarreta mudanças nas instituições. A mudança mais significativa é o tempo reduzido que os genitores tem para dedicar aos filhos, portanto os cuidados diários são declinados às instituições de acolhimento e educação, gerando a reinstitucionalização da infância.
A globalização, signo que corrompe identidades por oferecer ideia hegemônica de modo de vida, afeta diretamente a infância, pois esta é a categoria social que não tem poder de decisão, portanto sujeita ás decisões políticas e econômicas, que ao fim e ao cabo determinam distribuição de riqueza desigual.
Consequentemente fome, guerras, doenças fazem parte do cotidiano de muitas sociedades e as crianças os sujeitos mais atingidos.
Frente à situação atual vivenciada pelas crianças, qual seja, novos arranjos  exigidos das instituições, consequentemente a infância tem seu lugar rediscutido. Mas não deixará de pertencer e estar na sociedade, somente precisará se reinventar através de seu jogo predileto conforme Sarmento (2000, p.16) o brinquedo e o brincar são também fator fundamental na recriação do mundo e na produção de fantasias. 


                                            Referências Bibliográficas

Sarmento, Manuel Jacinto (2000). As Culturas da  Infância Nas Encruzilhadas da 2ª Modernidade, Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho






domingo, 29 de novembro de 2015




      
                      
                 
Fa            do
        R


  Se for demais o fardo, se for fardo...pare!
                   
             Tire os sapatos.
                                 
                              Descalce-os...

                      Solte os cabelos. Balance-os ao vento.....

                                             ...........e ouça o silêncio até que deixe de


  ser  fardo e torne-se um fado.


                                     

                                 
https://www.youtube.com/watch?v=n6LdDqvrIHE



                         

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

                                                                      


                                                                                                                                           Infância e Sociedade

     Sem dúvida alguma, a infância é parte constitutiva da sociedade. Sendo parte, forma-se no espaço e no tempo, portanto as crianças terão seu cotidiano moldado pelas decisões políticas e econômicas e estas não respeitam fronteiras, muito menos as necessidades humanas exigidas para o pleno desenvolvimento.
    Visto que as crianças estão sujeitas aos ditames da economia e da política, cabe aos adultos responsáveis por elas diretamente e todos os outros atores, cuidarem para que os acordos estruturais não retirem direitos básicos para o pleno desenvolvimento daquelas que em última instância “chegam por último” na sociedade e precisam ser respeitadas no que tange aos cuidados básicos.
   Há pensadores debruçados sobre os temas que incidem sobre a infância. Dentre eles figura Jens Qvortrup, sociólogo dinamarquês que defende a tese de que “categoria geracional é aquela que define o lugar ocupado pela infância na sociedade.” (Nascimento, 2011, p.199) Posto deste modo, afirma o cientista que há “necessidade de uma abordagem interdisciplinar para estabelecer relações entre infância, como categoria, e as crianças, em suas vivências cotidianas.”(Qvortrup, 1993, p. 11-18) O autor quer dizer que há necessidade de contemplar no planejamento de políticas publicas o cuidado com o bem-estar das crianças, quais sejam, atendimento à saúde, segurança alimentar, espaços públicos que atendam a necessidade de circulação, previsões de moradia, educação. Concentrar estudos e planejamento que incluam as crianças é exigência para garantir a inclusão da infância como parte da sociedade.
  Em outras palavras, citando outra vez Qvortrup, “as crianças são indiscutivelmente parte da sociedade e do mundo e é possível e necessário conectar a infância às forças estruturais maiores, mesmo nas análises sobre economia global.”
 O autor refere-se ao microcosmo e às macroforças, pois estas e aquele estão  interligados. O nível micro é aquele no qual a criança está inserida, qual seja, a família, escola, comunidade. Estas instituições são impactadas pelas macroforças, quais sejam, as forças econômicas que incidem sobre o meio ambiente, planejamento urbano, decisões políticas.
 Em suma, a infância como categoria geracional confere à criança condição para cidadania, porém para a efetivação deste status é necessário incluir e recepcionar direitos inerentes ao desenvolvimento pleno para que as crianças vivam como atores e criadores e que não sejam meros espectadores da sociedade em constante (re)construção.

                                               

quarta-feira, 25 de novembro de 2015




               Dilema Pós-Moderno 

     

Dizemos que “as crianças não respeitam mais o professor”, “as crianças não gostam da escola”. Como as crianças tivessem que responder questões sem que estas sejam propostas ou mesmo impostas.  Somente crianças frequentam instituições escolares, ou os professores, funcionários, professores em cargos diretivos e os “especialistas” também a frequentam?
Portanto, as interações entre alunos e demais atores pertencem ao universo escolar e daquelas surgirão respostas, discordâncias e dilemas. Sendo a escola “uma instituição que é um lugar na cultura”(Momo, 2010, p. 74) é correto afirmar que aquela sofra as consequências imediatas dos dilemas enfrentados pela sociedade em constante mudança, principalmente na Pós-Modernidade, pois o período é marcado pela liquidez (lugar, tempo e forma inexistem), pela efemeridade (tudo é descartável e instantâneo).
A indagação necessária sobre quais os motivos que levam uma criança em idade escolar a não “gostar” de estar na escola ou desrespeitar seus professores interessa a toda a sociedade, pois aquilo que o aluno expressa no ambiente escolar é construído a partir das representações sociais às quais ele está submetido e muitas daquelas chegam através da mídia. As narrativas oferecidas (impostas) pelos meios de comunicação de massa reforçam a instantaneidade, a descartabilidade.
Consequentemente teremos a contínua “perda de autoridade” por parte daqueles que deveriam contribuir com a experiência, quais sejam, aqueles que “vieram antes”, os que deveriam ser os anfitriões no mundo criado por gerações pretéritas.

         



         







                                     

segunda-feira, 16 de novembro de 2015





                                                           Eu e o Outro


Um ser "desejante de saber", segundo Sigmund Freud, é toda pessoa que pergunta para situar-se e entender o mundo e dele participar/desfrutar. Esta "entrada" no mundo acontece a partir das relações familiares, mais precisamente com os primeiros cuidadores e estes serão as referências tanto positivas quanto negativas em todas as interações futuras. Ser no mundo exige ser para alguém primeiro. Eu e o outro. Esta será sempre a tensão que provocará a busca pelo conhecimento do mundo e no mundo.

Enquanto vai se constituindo, a criança experimenta, testa as reações dos adultos espelhadas na reação já vivenciada com os primeiros modelos e este exercício constante fornecerá sinais, pistas de como deve reagir/agir diante de situações cotidianas. Este movimento tanto reafirmará convicções, quanto colocará em dúvida comportamentos resultantes. Estas interações foram denominadas por Freud como transferência. O adulto será o meio pelo qual a criança fará seu “laboratório” para sua s futuras andanças. Segundo Freud (1901) transferências “são reedições dos impulsos e fantasias despertadas e tornadas conscientes durante o desenvolvimento da análise e que trazem como característica a substituição de uma pessoa anterior pela pessoa do médico.”

O adulto será desafiado enquanto o ser com o qual a criança fará suas “experimentações” para ser no mundo. Ora, se para ser alguém a criança necessita de “algo” para exercitar o quanto/como a humanidade lhe é possível, então ele o adulto, precisará deixar de lado, não abandonar, mas permitir que a criança seja, enquanto “não sou” para que ela vivencie a partir daquilo que somos enquanto pessoas que já entendem as dinâmicas relacionais. Para este movimento foi cunhado o termo contra referência.

               Contranarciso                                         
em mim eu vejo o outro e outro e outro enfim dezenas trens passando vagões cheios de gente
centenas o outro que há em mim é você você e você assim como eu estou em você eu estou nele em nós e só quando estamos em nós estamos em paz mesmo que estejamos a sós 

Paulo Leminski, 1983



terça-feira, 10 de novembro de 2015




                                                         Ler o mundo


Somos seres culturais, portanto resultado das interações que travamos cotidianamente. Essas interações dependem da comunicação, que ao fim e ao cabo é o fio invisível que une a todos constantemente.
Se a comunicação é indispensável para tecer a humanidade, não havendo a compreensão do que escutamos e falamos acarretará a não-humanidade? Ou uma meia-humanidade?
Ora, se somos seres culturais resultantes da comunicação, como aceitar sociedades que convivem com o analfabetismo ou com qualquer definição que delimite em torno de muitas pessoas um fio invisível, que ao contrário de unir, separa?
Por outro lado, porque alguns continuam à margem pela incapacidade de comunicar-se plenamente, se já conhecemos “como” aprendemos a ler e escrever? E sabendo ler e escrever, interpretar e inferir no mundo?
Conhecer os processos pelos quais as pessoas, criança ou adulto, acessam o universo da leitura e escrita é uma poderosa arma para debelarmos a ferida aberta que causa exclusão. Conhecer requer pesquisa, dedicação e vontade.
Incorporar aos conhecimentos necessários para ser efetivo no processo ensino-aprendizagem no papel de professor exige que conheçamos, por exemplo, os fatores que interferem no processo de alfabetização, esta a porta de entrada para as interações a partir da comunicação.
Sem dúvida, a Interdisciplina Fundamentos da Educação/PEAD/UFRGS/2015 capitaneada pela professora AnnaMaria Piffero Rangel ofereceu-nos possibilidades de diferentes matizes para que pudéssemos entender como/porque/em que tempo a aquisição e construção do conhecimento ocorre. O assombro me acompanhou desde o início, pois em sala de aula algumas dificuldades de meus alunos,que já havia detectado e não sabia como mediar, foram compreendidas e desta passei a inferir.
Por fim, a admiração pela professora, que a partir da experiência nos temas abordados forneceu pistas de que é possível através da pesquisa, observação e avaliação encaminhar atividades sistematizadas e assim agindo proporcionar aos alunos possibilidades reais de aquisição das habilidades de ler e escrever no, para e com o mundo somente aumentou.


                                                                    

                                            Estudo e pesquisa: exigência docente        Ensejando a continuidade dos estudos e porvent...