segunda-feira, 9 de maio de 2016







                                      Fios Sonoros


Desde a gestação o ser humano está imerso em sons. A circulação do sangue, as batidas do coração, a linfa em movimento constante dão o tom de um mundo ainda a ser descoberto.
Logo podemos inferir que somos tecidos por sonoridades herdadas e adquiridas pela fruição enquanto nos desenvolvemos e entramos em contato com o meio. Musicalidade é, portanto, o ritmo que melhor nos define, aquele que nos embala sem que percebamos, aquele cantarolar que, sem fazer qualquer esforço, nos “puxa” pelos fios da memória, como se estivéssemos sendo sugados por algo maior, intangível.
Os fios me levam de volta ao seio familiar, de onde ouço minha mãe cantarolar suas predileções enquanto zela pela família, pica alho, colhe flores, arruma a cama. Tece amarras entre a imaginação e a realidade.
Por outro lado, havia a vitrola possante e imponente manejada por tios adolescentes que faziam tremer o assoalho com o iê-iê-iê e aqueles cediam a vez para meu pai quando o assado ia para a grelha. Momento solene no qual eu escutava “de cantinho” o Fado que tinha a função única e intransferível de “temperar” o domingo, que nunca se repetia, apesar de sempre ser Amália a voz convidada.
Enfim, ao relembrar como a música foi sendo gotejada em minhas entranhas compreendo que aquela será sempre a companheira na qual posso depositar minhas dúvidas e alegrias. Com ela posso fruir e descansar.

domingo, 1 de maio de 2016





                      Colorindo a realidade

Com o propósito de elencar tópicos relevantes, sob a ótica docente, do texto “NasTramas da Literatura Infantil: Olhares sobre Personagens Diferentes de Rosa Mª Hessel Silveira, tracei algumas linhas.
Indiscutivelmente, a escolha de títulos capazes de subsidiar provocações necessárias, pertinentes e generosas sobre o tema diversidade humana, definida no texto como “diferenças” é difícil, pois a autoria sugere que ao ser criado um ambiente no qual será incluída a trama, o sujeito autor marcará o texto a partir do lugar do qual compreende o mundo.
É provável que os lugares diversos dos quais o autor e o docente analisem o tema acima referido apresente dificuldades para o último no momento em que necessitar escolher um livro adequado à demanda.
Por conseguinte, elencar tópicos do texto indicado pela Interdisciplina Literatura Infanto Juvenil e Aprendizagem que tem como professora titular Ivany Souza Ávila, suscita compreensão do que pode vir a ser um balizador nas escolhas.
Por exemplo, quando a autora cita Ligia Assumpção  Amaral (2002) que  ao analisar um personagem com deficiência, utilizou três eixos básicos, quais sejam, gênese da deficiência, status do personagem e desfecho da história, está a nos indicar por qual prisma podemos averiguar um livro a ser apresentado para os estudantes.
A saber, quando se refere ao status Amaral (2002) propõe que analisemos se o personagem recebeu adjetivos outros para além da diferença que o define em primeiro plano.
Igualmente na página sete, Rosa Mª apresenta duas obras que ilustram de maneira diversa o “diferente” cego. São elas: “ O menino que Via com as Mãos” e “ A Gaivota que não Podia Ver”. No primeiro há claramente adjetivação que ressalta a potencialidade do cego ao apresentar o personagem sorrindo, tocando objetos e seres. Já no segundo livro, a gaivota é apresentada como incapaz desde o título e por toda a obra.
Outro tópico interessante é a citação do prefácio da obra “Ímpar”. Segundo o autor



Um dia eu fiquei conversando com um garoto que começou a me contar como a vida dele tinha mudado depois de um acidente de carro.
Ele me contou como era antes, como ficou depois e tudo que ele falava me fazia sentir mais e mais parecido com ele. E foi daí que surgiu essa história.
 Ímpar é um livro diferente dos outros, como são diferentes os garotos e garotas que você vai conhecer lendo o livro.  (Silveira apud Cunha, 2002)




Embora os lugares sejam distintos, autor e docente podem concordar no que tange ao objetivo em construir “pontes” necessárias e imprescindíveis para que os estudantes possam compreender a diversidade humana a partir de situações que exemplifiquem o cotidiano possível e inescapável, não deixando de lado a imaginação, no qual as diferenças não excluam, mas possam colorir a realidade.

sábado, 30 de abril de 2016




                         Reelaborar a realidade

Indiscutivelmente a leitura proporciona inúmeras possibilidades, entre elas a de alargar horizontes, fruição, imaginação.
Quando a leitura é oferecida pelo inusitado, como encontrar um livro há muito tempo lido e que momentaneamente vem ao encontro do estudo ou anseio, torna-se aquele uma ferramenta de fruição pelo prazer da surpresa e alarga horizontes, pois oferece novos olhares sobre um tema caro.
Pois foram a largueza e a fruição, as surpresas ao encontrar entre leituras já realizadas o livro Gramática da Fantasia, de Gianni Rodari (1982). Largueza porque oferece possibilidades de reflexão sobre a imaginação e esta “ manifesta-se nas brincadeiras dos animais: assim, manifestam-se ainda mais na vida infantil. A brincadeira, o jogo, não é uma simples recordação de impressões vividas; mas uma reelaboração criativa delas, um processo pelo qual a criança combina entre si os dados da experiência no sentido de construir uma nova realidade, correspondente às suas curiosidades e necessidades.” (Rodari, 1982 apud Vygotsky, 1972, p. 162)
Alargar horizontes é construir pontes. Se a fruição fizer parte desta empreitada, poderemos concluir que houve imaginação envolvida e a reelaboração é o resultado. Nada mais sério que brincar, pois para que ocorrra esta natural atividade humana, tem de ter havido imaginação e uma nova laitura de mundo.

Concluo afirmando depois desta despretensiosa apresentação de Rodari, que a leitura é fruição e possibilidades do novo, portanto brincar é um novo que “bebe” na curiosidade e na necessidade.

quinta-feira, 28 de abril de 2016




                               Humanidade generosa


Desde há muito tempo conheço a LIBRAS, pois minha irmã é surda. Aprendi para me comunicar de maneira mais efetiva com ela, mas com o tempo esta prática deixou de ser utilizada e esqueci.

A história da LIBRAS remonta ao Sec. XVII, quando o abade L'Epée funda uma escola na França e o método gestual é utilizado. Na esteira da história forjada pelo abade francês, chega ao Brasil Eduardo Huet convidado pelo Imperador D. Pedro II para que aquele fundasse uma escola para surdos na Capital do Império. Desde a fundação do Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, a língua de sinais praticada na escola francesa e a já utilizada no Brasil foram utilizadas para o ensino, mesmo que estas tenham sido proibidas pelo Congresso Internacional de Surdo-Mudez, ocorrido em Milão na Itália no ano de 1880. Este conferiu o status de único meio de ensino e consequentemente comunicação entre os portadores desta necessidade especial. Desde há muito tempo esta situação deixou de ser imperativa e a LIBRAS passou a ser considerada A língua oficial desta comunidade.

Ampliar os conhecimentos desta ferramenta de comunicação é um desejo antigo que agora terei a oportunidade de realizar. Penso que quanto mais ampliamos as possibilidades de comunicação, mais aprofundamos nossa subjetividade, que sem sombra de dúvida é lapidada no encontro com o Outro e estes são também aqueles que usam as mãos e o olhar para dizer aquilo que são e pensam.


A conclusão que esta reflexão me propõe é a de que forma poderei interagir com um estudante surdo, como farei a intermediação deste com os ouvintes? A graduação, ao oferecer esta Interdisciplina, nos invoca a sermos parte de uma comunidade abrangente, qual seja, uma humanidade generosa que fala de maneiras distintas, mas de um mesmo lugar e este é o ser.

 

segunda-feira, 18 de abril de 2016






                                                          Lapidar o cotidiano

A escolha de um entre tantos livros é uma façanha para quem tem o vício em perder-se entre palavras que são lapidadas para encantar aqueles que se permitem a cada linha ou verso um novo olhar.
Porém, a escolha é imperativa e daquela resultou Isto é um poema que cura os peixes, de Jean-Pierre Siméon,  Editora Comboio de Corda,  do projeto Alfabetização na Idade Certa/2013 do MEC-FNDE.
Arthur amava seu peixe vermelho, o Léo. De tanto amar, os olhos do menino ficaram embaçados e ao ver Léo quieto, imaginou que o peixinho fosse morrer. Então, saiu em busca de algo que pudesse salvar seu bichinho. Perguntou à mãe o que poderia fazer e a mãe prontamente respondeu que desse um poema para Léo.
A aventura começou quando o menino se sente capturado pelo desejo de dar ao peixinho aquilo que poderia salvá-lo.
No decorrer do poema que conta a saga de Arthur e Léo encontrei a beleza da métrica de Chico Buarque ao “poemar” Construção, a música na qual o autor lapida o cotidiano.
O peixe e o menino.  O cotidiano e a exigência em ser.
O poema possibilitando que tanto a criança quanto o adulto possam adentrar suas limitações e nelas encontrar caminhos possíveis.


  


segunda-feira, 11 de abril de 2016





                                                  Cenas do cotidiano

Indiscutivelmente analisarmos cenas do cotidiano exige que elenquemos um ponto e deste olhemos com isenção. Não há possibilidade fora deste movimento. Como fazer uma análise se somos parte, quer dizer, atores? De outro ponto de vista, como analisar uma cena na qual não conhecemos prerrogativas, subjetividades que são fundantes da ação?
É provável que ao analisarmos uma cena na qual sejamos parte, comecemos a discorrer, analisar com o foco determinado e logo em seguida desviarmos da análise, pois este exercício exige o afastamento da cena, porém ter sido atuante no momento analisado, correremos o risco de sempre retornar à ação como parte desta.
Igualmente haverá dificuldade em analisarmos uma cena na qual não fomos parte, porque o foco será a atuação do outro. Neste caso, o obstáculo à análise exigida está no fato de que o analisado tem suas prerrogativas ao executar determinadas escolhas e como expectadores não conhecemos a subjetividade que molda a ação.
De acordo com a solicitação, elenquei uma cena na qual propus aos estudantes que após a cópia e leitura atenciosa de atividades de revisão, as executassem sem solicitar auxílio. A turma está no último ano do Ciclo de Alfabetização, portanto, lendo e interpretando já com alguma autonomia. Fui surpreendida pelo questionamento feito sobre o que era sublinhar e circular. As atividades propostas versavam sobre Alfabetização.  Rapidamente decidi pedir atenção do coletivo e foquei nos significados das palavras, recorri ao dicionário, pois este suporte foi inserido desde o começo do ano letivo, para que eles se apropriassem daquele como ferramenta de apoio diário.
Com o propósito de sanar as dúvidas, li e realizei uma atividade de cada ação exigida e nos dias subsequentes trabalhei mais verbos que farão parte do universo cotidiano na resolução de atividades das diversas áreas.
Da mesma forma escolhi uma cena na qual a colega do 1º Ano propôs aos estudantes uma atividade para desenvolver a lateralidade. A professora em questão amarrou alternadamente, no braço direito e esquerdo, uma fita e com esta estratégia solicitava que os pequenos levantassem a mão X ou Y. Observando a cena, percebi o quanto é difícil para a criança reconhecer “lado” no início da escolaridade, que é aos seis anos.  Após esta observação comecei a observar meus alunos, já no final do Ciclo e constatei que alguns ainda estão com a lateralidade  e  noção de direção pouco desenvolvida.
A fim de proporcionar atividades variadas para que os alunos desenvolvam autonomia no que se refere ao observado, provoquei o diálogo entre meus pares do Ciclo de Alfabetização e também pesquisei para embasar meu planejamento posterior.
Além disso, neste semestre, teremos a oportunidade de conhecer teóricos nas aulas de Ludicidade, que se debruçaram sobre os jogos como uma ferramenta para desenvolver na criança a condição de conhecer o seu corpo e o corpo no meio físico.
Assim sendo, concluo esta análise com as palavras da Mestra Esther Pillar Grossi, que nos desafia a que sejamos humildes no sentido de que precisamos da pesquisa já elaborada e daquela que também podemos elaborar a partir da realidade que nosso ofício exige.  Diz a professora que “a renovação é uma característica de nossa época. O progresso científico revoluciona nosso século e se não acompanharmos seremos cedo marginalizados.” (GROSSI, 2006, p.3)

domingo, 10 de abril de 2016



                                       Brincar é desafio

Com toda certeza brincar é importante. Dentre as importâncias possíveis e necessárias, as mais significativas são as possibilidades, desafios e entretenimento que o brincar oferece.
Brincar para as crianças é ação sobre objetos e emoções. É desafiar os limites do jogo, do corpo, da capacidade de acolher o Outro e saber que o Eu é capaz de superar frustações. Também é o que desafia sem exigir resultado ou utilidade. É alegria em desafiar-se. É prazer em ultrapassar o que até então era limite, dificuldade ou medo. Exercício em ser. Tempo presente.
Segundo Rubem Alves (1997)


Quem brinca sabe que a alegria se encontra precisamente no desafio e na dificuldade. Letras, palavras, números, formas, bichos, plantas, objetos (ah! O fascínio dos objetos!), estrelas, rios, mares, máquinas, ferramentas, comidas, músicas – todos são desafios que olham para nós e nos dizem: “Veja se você pode comigo!” (RUBEM ALVES, 1997, p.123)


Enfim, brincar é desafio das gentes em busca daquilo que amplia as possibilidades de ser em qualquer tempo e espaço, momento e advento. Ser aprendendo e ensinando. Saber que sabe depois de duvidar. Ou que pode ou não, dependendo da situação.










                                                         


                                            Estudo e pesquisa: exigência docente        Ensejando a continuidade dos estudos e porvent...