quarta-feira, 26 de abril de 2017

                               Da minhoca à baleia


  Como em um passe de mágica, da terra, a turma mergulhou em um oceano de curiosidade e algaravia. Ao "reatar os fios" que reconduziam à pergunta formulada por um aluno, após a leitura do poema As minhocas também amam e mamam..., qual seja, "existe minhoca do mesmo tamanho de uma cobra?" outra pergunta se impôs através da participação entusiasmada de outro aluno. Este perguntou: "será que cabe uma baleia na sala de aula?" Da pergunta à discussão generalizada sobre capacidade da sala, tamanhos e tipos de baleia foi um passo.

   Diante de tanto entusiasmo devolvi a pergunta, provocando: "de qual baleia você está falando?" A resposta convicta, "baleia assassina" foi rebatida por " quero saber se a baleia franca cabe!"

   Em decorrência da motivação pelo assunto tamanho e tipo de baleia, resolvi fazer uma votação para saber qual assunto estudaríamos primeiro e o animal de tamanho oceânico recebeu mais louros em detrimento do ser terrestre que também os fascina, portanto "será que cabe uma baleia na sala de aula?" será o mote do projeto de trabalho a ser desenvolvido pela Turma 22 da EEEF Olintho de Oliveira.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

                                        Mapeando minha turma


Ano: 2° Ano

Número de alunas(o): 18

Idade: 7/8 anos

Escola: EEEF Professor Olintho de Oliveira

Localização: Porto Alegre

Professora: Mara


   A turma tem como característica marcante a curiosidade. Sem necessitar de muitos estímulos, perguntam, comentam, defendem suas ideias.
   Após as leituras de histórias e textos em diferentes gêneros textuais, provoco-os para que expressem o que entenderam, se gostaram, se encontraram semelhanças com outras histórias conhecidas e sempre o resultado é estimulante. Deste momento aproveito o estímulo que os move e insiro conceitos que podem ser da área do letramento e alfabetização, tanto no que tange à língua materna quanto à matemática e das ciências humanas e da natureza.
  É inegável que estando no início do processo de educação formal e encontrando-se no período operatório (a partir dos 7 anos),apresentam dificuldade em entender que ao trabalhar em grupo necessitam combinar regras e estas serem respeitadas por todos, porém na medida em que são elaboradas atividades que exigem esta organização vão desenvolvendo o interesse em que haja êxito neste tipo de atividade e cooperam, auxiliando àquelas(o) que persistem na individualidade.
   Portanto, penso que a turma acolherá a proposta do trabalho de pesquisa que já tem o mote para iniciar, qual seja, dúvidas que foram apresentadas após a leitura e recitação de poesias, estas fazem parte de uma coleção que foi denominada As minhocas também amam e mamam... escrita por Mario Pirata.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

                                                                   
                                                                  Estamos sendo com os outros?


 “Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática.” (FREIRE, 2004, pg.39)
Pensar criticamente a prática exige fundamentação teórica, pois para entender sobre a prática mesma é necessário conhecer o passado e o arcabouço atual sobre o qual está assentado o conhecimento epistemológico. A prática e o discurso calcados no conhecimento serão os alicerces para novas teorias resultantes da práxis.
Assim como pesquisa, discussão, formulações sobre a prática, também palestras proferidas por pensadores que se debruçam sobre temas diversos contribuem para que formulemos teses e estratégias.
Como exemplo cito a conferência proferida pelo professor emérito da UFMG Carlos Roberto Jamil Cury no dia 17 de abril do corrente ano, aquela pronunciada na Aula Inaugural da Faculdade de Educação/UFRGS (FACED[i]). A conferência versou sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9334/96-LDB), sua história, impasses e perspectivas.
Sobre a história da educação sob a ótica da LDB, o professor ressalta uma mudança substancial nesta, ocorrida no ano de 1967 sob o regime militar, qual seja, a alteração ocorrida na obrigatoriedade e no financiamento. “Há uma extensão da obrigatoriedade de quatro para oito anos e cai o financiamento. [...] Para fazer uma extensão da obrigatoriedade você precisa ter mais escolas. De onde saiu o dinheiro para construir as escolas se não tinha o financiamento? Do arrocho dos salários dos professores. É aí que começa o declínio do valor do salário dos professores.” (Cury, 2017)
É inegável a depauperação da categoria que abarca os profissionais da educação, em especial aqueles que lecionam na Educação Básica, em particular os que pertencem à rede pública, com parcas exceções.
Em decorrência deste empobrecimento a maioria dos docentes recorre a estratégias para viver com dignidade, quais sejam, lecionar em três turnos ou trabalhar em outra área. Consequentemente, a formação permanente fica em segundo plano ou muitas vezes nem faz parte do cotidiano do professor e o resultado imediato é a dissociação entre prática e teoria.
Diante desta realidade urge pensar sobre a práxis, esta que baliza o devir humano, pois é dela resultante teorias, inovações, interações e outros.
De acordo com Trevisan apud Vaz (2006, pg.31), a práxis
“é a realização do homem no seu mundo humano e é pois, no seu conceito abrangente, essencialmente política, isto é, orientada necessariamente  para o movimento da auto-realização para o horizonte do ser-com-os-outros”.
Estamos sendo com os outros?

Referências:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia; saberes necessários à prática educativa. Paz e terra. São Paulo. 2004.
TREVISAN, Amarildo Luiz. Paradigmas da Filosofia e Teorias Educacionais: novas perspectivas a partir do conceito de cultura.Educação e Realidade. V.31 n.1. jan/jun2006.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

                                                     Pensar certo


“Pensar certo implica a existência de sujeitos que pensam mediados por objeto ou objetos sobre que incide o próprio pensar dos sujeitos.” (Paulo Freire, 2004, pg.37)

Sem dúvida alguma a tese defendida por Freire deve fazer parte do arcabouço que baliza todo e qualquer planejamento que vise à formação docente, pois aquela preconiza que pensar certo ou ainda ação-reflexão exige que haja dialogismo, que ao fim e ao cabo é a interação humana.
A comunicação defendida pelo teórico, na formação docente, leva em conta os atores todos, quais sejam, o aprendiz de educador e o professor formador. Conforme Freire,

 “...é fundamental que, na prática da formação docente, o aprendiz de educador assuma que o indispensável pensar certo não é presente dos deuses nem se acha nos guias de professores que iluminados intelectuais escrevem desde o centro de poder, mas pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo tem de ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador.” (Paulo Freire, 2004, pg.38)


A práxis, exigência para que a curiosidade ingênua deixe de sê-la para tornar-se crítica, deve fazer parte do cotidiano de todos os envolvidos com a educação, seja a  formal tanto quanto a informal, aquela que praticamos enquanto seres fazedores de cultura, ou seja, seres humanos.

Referências:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2004.







                    Fazer e pensar

 “... a reflexão é , no dizer do grande filósofo educacional americano John Dewey (1933), uma forma especializada de pensar” (Alarcão, 1996, pg.3)

Indiscutivelmente, pensar é ação humana recorrente, porém pensar de forma especializada exige exercício, método e intenções.
No que diz respeito à “forma especializada de pensar”, Freire (1996) enfatiza que a reflexão é o movimento realizado entre o fazer e o pensar, portanto enquanto professores e alunos que somos estaremos sempre em atitude reflexiva, pois as interações resultantes do cotidiano de nossos ofícios exigem que atuemos a partir de um planejamento resultado daquelas e para àquelas.
Por exemplo, ao elaborarmos a escrita sobre leituras, debates e efetivo exercício em sala de aula, realizamos o movimento “fazer e pensar”, pois partimos de um ou de outro, ou seja, da ação ou da reflexão e o retorno a este binômio.
Portanto, a construção do blog portfólio é ação reflexiva e esta acarreta uma possibilidade de transformação de nossa prática educativa, tanto como professores tanto quanto alunos.

Referências: 
ALARCÃO, Isabel (Org). Formação reflexiva de professores, estratégias e supervisão. Editora Porto, 1996. (Coleção CIDIne).

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e terra, 1996.










segunda-feira, 2 de janeiro de 2017



 Vídeo Território em disputa, realizado com a intenção de dialogar com as transformações urbanísticas, geográficas e humanas ocorridas na Capital do RS, com enfoque no entorno do Viaduto Otávio Rocha.
                                    Experiência de felicidade
     
   Há dias, horas, momentos nos quais podemos brincar com nossos pensamentos, deixá-los "à solta" para que pulem, subam árvores, peguem porções de terra e a textura, a temperatura, o cheiro daquela inunde o "jardim secreto" que cultivamos.
Com as mãos "sujas" de terra fiquei a ver olhos brilhantes falando de uma experiência exitosa em educação. Olhos mareados no momento em que penso que é o que sonho para as crianças brasileiras, porém por aqui os que decidem sobre os rumos que o sistema educacional deve seguir não são especialistas no assunto e ao projetar pensam em resultados e esquecem-se do principal, ou seja, da criança, do adolescente, os que realmente interessam.
No que tange aos jovens, aqueles que estão ou ingressarão no Ensino Médio, é necessário escutá-los, pois eles sabem que tipo de escola não atende suas demandas, portanto há que se incluir nas discussões aqueles, para que não sejam inócuas as  mudanças propostas pela MP do Ensino Médio pretendidas e muitas vezes implementadas.
De acordo com Carmem Craidy, professora aposentada da Faculdade de Educação da UFRGS, reforma proposta pela MP do Ensino Médio[i], “reforma desincentiva o professor a buscar a qualificação e, ao ser apresentado por MP, ignora todas as discussões anteriores em andamento no Brasil sobre os rumos da educação.”
Ainda sobre os atores que devem ser escutados José Pacheco assevera[ii], “é uma nova geração que está aí e parece que vai criar condições para que a política seja menos corrupta e mais eficiente. Esses jovens sabem a escola que não querem, mas não sabem a que merecem. Quem sabe? Os pedagogos, os professores.” 
Há experiências exitosas no mundo no que tange ao sistema educacional e a que me comoveu foi a ocorrida na Finlândia, país que está no topo do IDH[iii].  Aquele considera indicadores de longevidade (saúde) renda e educação, portanto o exemplo vem contribuir para o debate urgente e necessário à respeito de alterações nas leis que fundamentam o sistema educacional no Brasil.
 O mote para a tomada de decisões que impactam a vida escolar das crianças e jovens finlandeses é a felicidade. Esta foi escolhida como ponto número um ao serem realizados os estudos para a mudança do sistema educacional naquele país.
Portanto, a escuta dos atores que fazem parte do sistema educacional deve ser um dos pilares para alterações ou mudanças nas leis que sustentam o arcabouço legal e aquelas, obrigatoriamente precisam visar à felicidade.




[i] http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/a-integra-da-mp-da-reforma-do-ensino-medio/
[ii] http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2016/11/20/internas_polbraeco,557877/a-escola-atual-esta-fadada-ao-fracasso-diz-educador-jose-pacheco.shtml
[iii] http://www.deepask.com/goes?page=finlandia-Confira-a-evolucao-do-IDH---indice-de-desenvolvimento-humano---no-seu-pais

                                            Estudo e pesquisa: exigência docente        Ensejando a continuidade dos estudos e porvent...