domingo, 29 de abril de 2018



                                  Linguagem e conhecimento

Com o propósito de evidenciar as relações entre as teorias de Jean Piaget [i]e Lev Vygotsky[ii] quanto ao processo de conhecimento e aquisição da linguagem, dissertarei com base no texto[iii], no PPT e no vídeo[iv] indicados pela Interdisciplina Linguagem e Educação.
Sem dúvida alguma, há um ponto em comum quanto à elaboração das teses à respeito da aquisição da linguagem e o processo de conhecimento desenvolvidas por Piaget e Vygotsky, qual seja, as interações do sujeito no meio, junto aos seus pares impactam sobre o desenvolvimento das funções psicológicas superiores (percepção, memória, pensamento, atenção) e no desenvolvimento humano.
De acordo com Montoya (2006, p.121)

[...] Vygotsky destaca a coincidência de sua hipótese com a hipótese explicativa de Piaget daquela época, pois para ele o desenvolvimento da lógica na criança é uma função direta de sua fala socializada.
Basicamente, o desenvolvimento da fala interior depende de fatores externos: o desenvolvimento da lógica na criança, como os estudos de Piaget demonstram, é uma função direta de sua fala socializada. O crescimento intelectual da criança depende de seu domínio dos meios sociais do pensamento, isto é, da linguagem (Vygotsky, 1991 p.44).

Tanto Vygotsky quanto Piaget analisaram o desenvolvimento interno a partir das interações sociais do indivíduo no meio. Para Vyotsky, o plano interno é resultado da internalização resultante das ações no meio social, mediadas através da linguagem e conforme Montoya (2006, p. 124), Piaget defende que

 A evolução da ação do indivíduo depende da evolução das relações nas quais este se encontra inserido, e isso reciprocamente. Nessa evolução a idéia de socialização se encontra intimamente relacionada com a cooperação: socializar significa compartilhar noções e signos com uma comunidade de falantes e ao mesmo tempo distingui-los das próprias idiossincrasias e dos pontos de vista particulares.


Os sujeitos são ativos no processo de desenvolvimento humano, que contempla entre outros, aquisição da linguagem e na elaboração do conhecimento.
          De acordo com  Motoya (2006, p.126)
[...] para Piaget, a tese teórica maior para explicar a evolução do comportamento humano, incluídas a inteligência e a linguagem, é da continuidade com reconstrução das estruturas anteriormente adquiridas. Entretanto, isso não significa o abandono da necessária ação das relações sociais na formação do pensamento conceitual; pelo contrário, para ele, permanece a explicação da evolução do pensamento em função das interações sociais, como nas suas teses iniciais, mas na condição de permanecer garantida a atividade de processos internos e a continuidade, com reconstrução, de conquistas anteriormente alcançadas.


Da mesma forma, Vygotsky defende que o indivíduo não é passivo no que concerne à formação intelectual e na construção do conhecimento,
Diante disso, é importante considerar que para Piaget e Vygotsky as ações dos sujeitos são fundamentais para a aquisição da linguagem e no processo de conhecimento.

Referências:
MONTOYA. Adrián Oscar Dongo. Pensamento e Linguagem: percurso Piagetiano de investigação. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n. 1, p. 119-127, jan./abr. 2006
____ibid., p. 124.
____ibid., p. 126.

quinta-feira, 26 de abril de 2018





Como é essa escola?
A cena[i]. Cinco personagens. Modelos e pressupostos pedagógicos distintos. Uma Instituição.

Sem dúvida alguma, o sistema de ensino possui leis, decretos, artigos que definem quais os pressupostos que balizarão os planejamentos das unidades que compõem aquele, tanto quanto nortearão o planejamento das/os professoras/ES, porém a escolha do modelo epistemológico é feito a partir de convicções pessoais. Portanto, teremos na mesma unidade de ensino, parte do sistema educacional, diferentes modelos pedagógicos.
De acordo com a cena apresentada pela Interdisciplina SI VII, os atores representam três professoras, que atuam a partir dos pressupostos epistemológicos Empirismo, Construtivismo, Apriorismo respectivamente. O professor advoga diferentes modelos para as escolas nas quais atua, pois concluiu que as/os alunas/os da instituição particular acompanham um planejamento robusto, exigente e as/os estudantes em questão não teriam condições de acompanhar a mesma elaboração e o Diretor está preocupado com a indisciplina que é revelada pela bagunça presenciada pelo mesmo.
Como é essa Escola? Como defini-la? Ou não há como defini-la?
Ou ainda, se a escola acolhe diferentes modelos e pressupostos epistemológicos e tem na Direção um professor que defende o Modelo Diretivo/ pressuposto epistemológico Empírico, que de acordo com Becker (1994, p.03) [...] “esta pedagogia, legitimada pela epistemologia empirista, configura o próprio quadro da reprodução da ideologia; reprodução do autoritarismo, da coação, da heteronomia, da subserviência, do silêncio, da morte da crítica, da criatividade, da curiosidade” aquela pode ser considerada uma Escola, ou várias?
Certamente é uma Escola com desafios a serem enfrentados e a cena apresenta dois casos de superação no que tange ao autoritarismo, quais sejam, a professora Margarida mudou as estratégias e recursos para que as/os estudantes fossem os atores centrais no processo ensino-aprendizagem.
Conforme Rosanei Tosto (2011, p.02)

“Esses ambientes de ensino colocam os alunos como atores centrais do processo educacional, ao engajar estudantes em cada aspecto das operações da Escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança.”

Além disso, a professora Rosa elaborou uma estratégia na qual as/os alunas/os tem acolhidas suas ideias, porém ainda requer que aquela desenvolva o papel de mediador das relações interpessoais e facilitador do descobrimento, conforme Tosto (2001. p.04)
Diante destas alternativas, a professora Orquídea, que dedica horas e empenho na elaboração do planejamento e apesar disso as/os alunas/os não aprendem e o professor Cravo, autor de diferentes planejamentos, um para a escola particular e para a Escola em questão, pois as/os estudantes “de lá” são capazes e os “daqui” não o são, poderão perceber no decorrer do tempo que é necessário outorgar espaço para que as/os/ estudantes possam sentir-se parte do processo ensino-aprendizagem.
Conforme o quadro apresentado pela cena é possível concluir que essa Escola é passível de construir uma proposta que dê início à construção de uma escola democrática que é, de acordo com Tosto (2011, p.02)

[...] “uma escola que se baseia em princípios democráticos, em especial na democracia participativa, dando direitos de participação iguais para estudantes, professores e funcionários.”

Por outro lado, o movimento resultante, que deriva de ações concretas como as formuladas e desenvolvidas pelas professoras Margarida e Rosa, impactam nas ideias que as/os estudantes fazem do ensino-aprendizagem e o resultado é percebido pelas/os responsáveis que terão despertada a curiosidade pela mudança ocorrida no rendimento e interesse das/os filhas/os nas atividades escolares.
Enfim, há caminhos para serem percorridos, baseados nas ciências relativas à Educação, e que devem ser a base dos planejamentos e estudos por parte de todas/os envolvidos nos processos que envolvem Desenvolvimento e Aprendizagem.

REFERÊNCIAS:
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.
TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011. Disponível em: <http://docplayer.com.br/7270548-Escolas-democraticas-utopia-ou-realidade.html>. Acesso em: 10 abr. 2018.



                                    

                              Aprendizagem e sensibilidade

          Escrita desenvolvida a partir da atividade proposta pela Interdisciplina Didática, Planejamento e Avvaliação[i]

Como você imagina que este material didático era utilizado nas atividades escolares?
Penso que o material era utilizado após os alunos fazerem experiências sensoriais, brincadeiras, conversas sobre assuntos pertinentes à infância e  música a permear as atividades. Após as atividades, eram apresentadas as unidades fônicas/grafemas, as atividades lúdicas/pedagógicas.

Você encontra no seu cotidiano escolar elementos da pedagogia do Comênio? Elabore um pequeno texto analisando as relações entre as ideias deste autor e seu contexto de trabalho.
Sem dúvida alguma, encontramos no cotidiano escolar elementos da pedagogia de Comênio, porém aqueles não fazem parte do planejamento pedagógico das escolas, mas no planejamento individual, ou seja, algumas/ns professoras/es pensam as aulas do mesmo modo como Comênio propôs que fossem preparadas e desenvolvidas.
Uma vez que algumas/ns professoras/es planejam as aulas cuidando da motivação das crianças, a partir das necessidades e capacidades daquelas, do estímulo para que a natureza seja percebida através dos sentidos, observando a alternância entre descanso, brincadeiras, música, conversa e atividades dirigidas, há entre as ideias de Comênio e estas/es professoras/es similaridades.
De acordo com Comênio

“A proa e a popa da nossa Didáctica será investigar e descobrir o método segundo o qual os professores ensinem menos e os estudantes aprendam mais; nas escolas, haja menos barulho, menos enfado, menos trabalho inútil”[...] Excerto de DIDÁTICA MAGNA Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo a Todos, de João Amos Komensky (Comênio)[ii]


Portanto, urge que as escolas planejem aulas que sejam sedutoras, acolhedoras das capacidades e necessidades das crianças para que todas/os professoras/as “ensinem menos e as crianças aprendam mais”.



 Leia a abertura do livro “DIDÁCTICA MAGNA - Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo a Todos” e elenque as ideias pedagógicas que você encontrar.
VII.  A formação do homem faz-se com muita facilidade na primeira idade, e chego a dizer que não pode fazer-se senão nessa idade.
VIII.  É necessário, ao mesmo tempo, formar a juventude e abrir escolas.
IX.  Toda a juventude de ambos os sexos deve ser enviada às escolas.
X. Nas escolas, a formação deve ser universal.
XVI.  Requisitos para ensinar e para aprender, isto é, como se deve ensinar e aprender para que seja impossível não obter bons resultados.
XVII.  Fundamentos para ensinar e aprender com facilidade.
XVIII.  Fundamentos para ensinar e aprender solidamente.
XIX.  Fundamentos para ensinar com vantajosa rapidez.
XX.  Método para ensinar as Ciências em geral.
XXI.  Método para ensinar as Artes.
XXII.  Método para ensinar as Línguas.
XXIII.  Método para ensinar a Moral.
XXVI.  Da disciplina escolar.
XXVII.  As instituições escolares devem ser de quatro graus, em conformidade com a idade e com o aproveitamento.
XXVIII.  Plano da escola materna.
XXIX.  Plano da escola de língua nacional.
XXX.  Plano da escola latina.
XXXI.  Da Academia, das viagens e da associação didática.

.


                                     

                                                Signos e modelos 

         A partir da atividade proposta pela Interdisciplina DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO, dissertei sobre algumas questões, abaixo elencadas.

  1. Quais seriam seus desafios frente a essa criança?

Sem dúvida alguma seria instiga-lo a percorrer diferentes caminhos, desbravar dificuldades, oferecer diferentes leituras e interpretações do mundo, através de imagens, sons, textos, ou seja, produções de diferentes ideias do mundo que nos cerca para que o nosso menino[i] posso sentir-se à vontade para interpretá-lo a sua maneira. Desta forma, a sensibilidade daquele estaria preparada para sorver/fruir/sentir o mundo que o rodeia.
O menino tornou-se refém de modelos de representação do mundo, pois só havia o modelo imposto/oferecido pela professora que a seu turno também repetia o que lhe foi apresentado enquanto aluna.
De acordo com Miguel Arroyo, 2002, p.124


 [...] “as lembranças dos mestres que tivemos podem ter sido nosso primeiro aprendizado como professores. Suas imagens nos acompanham como as primeiras aprendizagens” [...]



Os modelos pedagógicos e epistemológicos demonstram como as ações desenvolvidas em sala de aula impactam na aprendizagem e no desenvolvimento da criança, portanto é necessário e indispensável conhecê-los para, como mediadores do conhecimento, escolher as estratégias que possam habilitar os indivíduos (criança, adolescente, adulto) a “não andar a reboque[ii] da história, mas para fazer história; para ser sujeito, portanto.” Fernando Becker



  1. Quais atividades você, enquanto professor/a,desenvolve com seus alunos de modo a possibilitar que estes cresçam com autonomia e desenvolvam sua criatividade?

O planejamento diário prevê uma obra literária, direcionada para a faixa etária e, a partir desta realizo roda de conversa, na qual as crianças relatam fatos e fazem comentários relativos ao enredo daquela. Dos livros apresentados compilo as imagens para que possam perceber diferentes traços, comentando que estes são autorais, os gêneros literários são apresentados em diferentes versões e sobre estas destaco igualmente a autoria.
No que tange à criatividade, penso ser necessário o estímulo constante para que representem livremente.
Para Becker[iii]


 “Trata-se, também, de recriar cada conhecimento que a humanidade já criou (pois não há outra forma de entender-se a aprendizagem, segundo a psicologia genética piagetiana - só se aprende o que é (re)criado para si e, sobretudo, de criar conhecimentos novos: novas respostas para antigas perguntas e novas perguntas refazendo antigas respostas; e, não em última análise, respostas novas para perguntas novas.”


  1. Que marcas da sua prática pedagógica você gostaria de deixar nos seus alunos?

Indiscutivelmente, gostaria que os signos da curiosidade, criatividade, autoria, busca pela novidade, coragem, autonomia, respeito pelo Outro e pelo conhecimento engendrado pela humanidade e este passível de ser recriado sejam as marcas principais daqueles indivíduos que eu puder privar no âmbito escolar e fora deste.
Conforme Becker[iv]


“O resultado dessa sala de aula é a construção e a descoberta do novo, é a criação de uma atitude de busca, e de coragem que esta busca exige. Esta sala de aula não reproduz o passado pelo passado, mas debruça-se sobre o passado porque aí se encontra o embrião do
futuro. Vive-se intensamente o presente na medida em que se constrói o futuro, buscando no passado sua fecundação.”





domingo, 31 de dezembro de 2017


                           Laudo médico: soluções e entraves

A Nota Técnica 04/2014 do MEC/SECADI/DPEE orienta quanto a documentos comprobatórios de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, elencando considerações que iluminam a disposição sobre o assunto, dentre aquelas destaco duas que apresentam contradições quanto à aplicabilidade no que tange à elaboração e execução do plano de AEE[i].
Por um lado, a Nota Técnica acima citada assevera que

“a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU 2006), promulgada no Brasil com status de Emenda Constitucional por meio do Decreto Legislativo nº. 186/2008 e Decreto Executivo n°6.949/2009, estabelece o compromisso dos Estados-Parte de assegurar às pessoas com deficiência um sistema educacional inclusivo em todos os níveis de ensino, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, compatível com a meta de inclusão plena ”[ii]


Por outro, afirma

“Neste liame não se pode considerar imprescindível a apresentação de laudo médico (diagnóstico clínico) por parte do aluno com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação, uma vez que o AEE caracteriza-se por atendimento pedagógico e não clínico.”

Se há previsão legal para que os Estados-parte assegurem às pessoas com deficiência um sistema educacional inclusivo, como o farão se não há laudo que referende o aporte de investimento necessário?
Também, há na Nota Técnica a citação da Resolução CNE/CEB, nº 4/2009, que afirma que


cabe à escola, fazer constar no Projeto Político Pedagógico, detalhamento sobre: “II - a matrícula de alunos no AEE; III - cronograma de atendimento aos alunos; VI – outros profissionais da educação e outros que atuem no apoio”, conforme art. 10.


Como suprir a necessidade de profissionais que apoiem o trabalho docente junto às crianças com deficiência e que portanto necessitam de atendimento de suas especificidades educacionais?





[i] Plano de Atendimento Educacional Especializado
[ii]https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2177361/mod_resource/content/1/Nota%20T%C3%A9cnica%20n%C2%BA%20042014.pdf
          

                A transcrição publicada é resultado da solicitação feita pela professora Luciane Magalhães Corte Real da Interdisciplina Desenvolvimento e Aprendizagem sob o Enfoque da Psicologia II/2017 - 2 


                  APLICAÇÃO, TRANSCRIÇÃO E ANÁLISE DE PROVA DO MÉTODO CLÍNICO

Aplicação da Prova Operatória “Conservação de volume”
Material utilizado: massa de modelar/Plasticina, um copo com água, uma borrachinha/atilho.
Professor aplicador: Mara Regina Barcellos da Cunha
Aluno/Idade/Ano: R/6 anos e 11 meses/1º Ano
Legenda dos tipos de letras utilizada na transcrição: Arial itálico nas perguntas, Arial em negrito nas respostas e Arial nos comentários e descrições do processo feitos pelo professor.

Conversei com a professora do 1º Ano que leciona na mesma escola na qual trabalho e solicitei que ela indicasse um aluno para participar do exercício proposto pela Interdisciplina Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II e a colega indicou R que, depois de ouvir qual a proposta de trabalho, aceitou prontamente.
Fomos eu e R para a minha sala de aula que já estava preparada para a experimentação, com duas carteiras unidas e o material sobre elas. Solicitei para R que conferisse se o material listado estava todo ali e ele aquiesceu, dizendo que a caixinha de massinha de modelar era muito colorida e que a cor preferida é o amarelo.
Aproveitei o ensejo e disse a ele que confeccionasse a nossa bolinha para iniciarmos a experiência e depois de pronta R pediu para fazer mais uma bolinha, a de cor salmão. Prontas as bolinhas, convidei-o para sentar e iniciei a gravação que está transcrita e registrada abaixo.
Transcrição:
Vamos fazer uma pesquisa. Uma pesquisa que a gente vai utilizar massinha de modelar, uma borrachinha e um copo de água, tá Rodrigo? Então tá. Então vamos ver. O nosso material já está aqui na mesa, o R me ajudou a fazer duas bolinhas de massinha de modelar, uma amarela maravilhosa e uma cor salmão e ele agora vai ver comigo onde essa água tá, que altura ela tá no copo e depois a gente vai brincar com a bolinha na água. Tá, R? Tá bom? Então tá. Então vamos lá colocar a borrachinha até a altura da água ali, abre bem, tu vai conseguir fazer sozinho, o outro copo tava difícil, isso. Vai até onde a água tá. Bem certinho. Ficou bem certinho. Tu é um ajudante de primeira da prof. Agora escolhe uma das bolinhas, a salmão ou a amarelinha. Essa! Aiiii... tá melecada! Depois tu lava a mãozinha. Pega a bolinha... uiiiii ( R sente que a massinha está visguenta) Vou te ajudar! Tá molhadinha. Tá meia visguenta, parece uma lesminha, né? Depois a gente lava a mãozinha. Coloca no copo e vamos ver onde que a água vai? Aiiii... (R ao colocar a bolinha amarela no copo) Olha ali! Qual a mágica que aconteceu? Ela ficou... a água ficou toda amarela. Ficou amarela. Porque que ela ficou amarela? É por causa se você botar um pouco de água  a cor fica mais amarela. Fica mais amarela. Ela ficou amarela porque tem mais água? UhhhUhhh... é porque você precisa botar desse tamanhinho (R aponta para o copo e mexe na borrachinha) Não mexe na borrachinha. Me diz uma coisa R, onde a água ficou agora, tá na mesma linha da borrachinha ou ela tá em outro lugar? Tá em outro lugar. Aonde que ela tá? O que aconteceu com a água? Ela ficou toda amarela porque se você fazer uma obra de arte ela fica toda amarela. Ela fica amarela. Tá. Lembra que eu te falei que a gente ia observar a água? A gente já falou da cor. Mas assim... nós tínhamos marcado a água com esta faixinha amarela, que é a borrachinha e a água tá bem nessa marca. E agora? Onde a água tá? Aqui em cima só que você porque a água tá em cima daqui, você botou um pouco demais embaixo , daí você não conseguiu fazer certinho (neste momento R tenta responder ao questionamento sobre o volume, pois foi instigado a fazê-lo, porém é notável que a elaboração que resultou na resposta foi somente para oferecer uma afirmativa e não como conclusão ao fato destacado, pois o foco de R, desde o início é a coloração da água e a contribuição das cores das massinhas na composição daquela) Vamos fazer uma coisa agora? Vamos tirar a bolinha dali de dentro e ver o que acontece com a água? Olha onde é que tá a água. Tá vendo onde que tá a água? Tá observando? Eu vou tirar a bolinha daqui. Espero que não exploda. Não tem como explodir. Sabe porque não tem como explodir? Ela é uma massinha de modelar e ela não tem nada que exploda n’água, porque até agora não explodiu, né? Vamos tirar a borrachinha(bolinha) daqui? Agora, onde é que foi parar a água? A água foi parar bem na amarela, só que você tirou a bolinha de modelar e ela ficou bem assim, igual aquela amarela (apontando para a bandeja com as bolinhas). Ficou igual o que? Ficou igual essa massinha amarela. Ahhhh... ficou com a cor amarela? AhhhAh!... só que era transparente(apontando para a bolinha na bandeja) aqui e essa era mais clara (apontando para o copo) Uhhhh... isso mesmo. A cor agora é diferente do início. Muito bem! Se a gente tivesse colocado a cor salmão, que que ia acontecer? A bolinha salmão, que que ia acontecer? Ela ia ficar igual a essa cor (apontando para a bandeja) Igual a cor que a gente ia colocar. A cor da pele. Salmão é a cor da pele. A minha é mais vermelhinha. E a tua? A minha era mais clara. Mais clara. É. Então tá. Vamos fazer um acordo? UhhhUh! Podemos fazer uma (bolinha) com a massinha cor de rosa? (apontando para a minha pulseira rosa) Podemos. Mas antes posso te pedir uma coisa? Uhhhh? Vamos fazer (uma bolinha) com a massinha branca? Branca? É. AhhAh! Tu pode me ajudar? Aí vou te contar um segredo. Conta! Se você saber eu vou te dar uma resposta. Tá! Faz uma bolinha branca prá nós e não coloca na bandejinha. (R fica fazendo a bolinha branca) E nós vamos trocar de água. (Levanto) Vou trocar de água. Fiz uma obra de arte.(R fez a bolinha e a ela se refere assim) Fez uma obra de arte lindona! Fica mostrando para o telefone a obra de arte? UhhhUh! Vou só trocar a água. R fica feliz fazendo a bolinha e mostrando para a câmera do celular. (Ao retornar com a água ele me mostra a bolinha) Tá pronta? Eu falei tudo prá câmera. Falou? Que legal! Trouxe a água novinha, sem cor amarela, tava amarela a cor. Então, antes de colocar a bolinha branca eu vou pedir que tu marque de novo a altura da água como tu fez antes, com bastante precisão. Bota de novo no lugar certinho. Isso! (R coloca bem precisa a borrachinha) Bem marcadinho que eu sei que tu consegue. Bem certinho! A água tá limpa? Tá certinho? UhhhUh!! Vamos ver o que acontece quando a gente coloca a bolinha branca? Vamos lá então... (R coloca a bolinha branca na água) Observa bem! Que aconteceu com a água agora? Ela ficou branca, porque a água não fica tão branca igual a água azul. Mais quando é azul? A branca não é muito? A água não fica cor branca, ela fica mais, e não fica branca. (R altera a altura da borrachinha para acompanhar a altura da água após colocar a bolinha) O que tu fez com a borrachinha? Ela ficou parada. Tu não mexeu nela agora? Tinha mexido nela? UhhhUh! Tinha mexido. É! Mas não aconteceu nada. Arruma bem direitinho na linha da água que eu vou te mostrar uma coisa. (R arruma e ajusta após eu avisar que estava ainda desalinhada) Arruma bem ali, na linha da água e observa onde ela tá. Agora quero que falo sobre a água. Vamos ver se a gente consegue? Vou tirar a bolinha. Olha! O que que aconteceu com a água? (R mexe na borrachinha) Não mexe... Tá! A professora precisava que tu não mexesse. Por que que tu mexeu na borrachinha? Eu mexi porque ela tava parada e para ficar no mesmo lugar que ela tava. Ahhh... tu queria que ela ficasse no mesmo lugar que ela tava. Ok! Tu mexeu por isso, né? UhhhUh! Muito bem! Quando tu mexeu na borrachinha na primeira vez, lembra que tu tinha mexido na borrachinha? Por que tu mexeu na primeira vez? É por que eu queria saber se ela tava certa ou não. Tá certo então...
Foi muito bom o nosso trabalho! Tu gostou? UhhhUh!
Encerrada a atividade, agradeci a participação dele e ofereci para ela as bolinhas e outra cor de massinha para que ela levasse para casa e a escolha recaiu sobre a massinha cor de rosa, escolha feita durante o processo.
Análise:
 A proposta de trabalho sugerida pela Interdisciplina foi desafiante por diferentes motivos, quais sejam, o despreparo da aplicadora e a riqueza oferecida pelo diálogo desenvolvido com o aluno. A proposição inicial era que ele se detivesse no volume da água, porém R se interessou pelo resultado da cor da massinha sobre a água.
No decorrer da investigação, de maneiras distintas, tentei reconduzi-lo ao ponto inicial da investigação até que em um dado momento ele constrói uma resposta para satisfazer a questão sobre o volume, porém permanece instigado pelas cores.
A conclusão inicial é que em uma investigação poderão surgir vários indícios que podem fornecer ao professor-pesquisador variáveis para o planejamento e a avaliação, porém, para tal é necessário conhecer o Método Clínico Piagetiano de forma a capacitar o trabalho futuro.

Referência:

                                            Estudo e pesquisa: exigência docente        Ensejando a continuidade dos estudos e porvent...