quinta-feira, 3 de maio de 2018


                                                      
                           Atividade solicitada pela Interdisciplina Linguagem e Educação


                                                 Plano de Aula

Turma: 3º Ano
 Faixa etária envolvida: 8 a 11 anos
Componentes Curriculares: Ciências Humanas, Linguagem, Ciências da Natureza

 Objetivos:
- Identificar as rimas que compõem o poema
- Proporcionar através do diálogo, identificação de tipos de moradias, inclusive a situação dos moradores de rua
- Conhecer o autor da obra, através de texto informativo
- Cantar o poema
- Representar o poema através de sequência gestual
- Representar a casa imaginada a partir da audição/leitura do poema, através das artes plásticas

 Desenvolvimento:
 A apresentação do poema será feita após algumas “rodas de conversa” sobre as estações do ano, que é um dos temas trabalhados durante o ano. Com a chegada do frio intenso, incentivei os alunos que observassem, no trajeto entre escola/moradia, como as pessoas estavam vestidas e enquanto relatavam, surgiu a situação dos moradores de rua.
Aproveitando este mote, escolhi o poema A Casa[i], de Vinícius de Moraes.
Iniciarei solicitando a leitura silenciosa e logo em seguida farei a leitura do mesmo.  Após ler para os alunos, falarei sobre o autor, apresentarei um vídeo no qual Vinícius de Moraes conversa com Toquinho[ii] sobre “a Casa” e solicitarei que um(a) aluno(a) leia em voz alta o texto informativo que acompanha o poema no livro didático. Solicitar que prestem atenção, enquanto a leitura do poema for feita, nas palavras que rimam.
Após este momento, apresentarei um vídeo[iii] muito interessante para que os alunos conheçam diferentes maneiras de representar uma ideia.
Depois da audição deste vídeo, convidarei os alunos para cantarem o poema musicado. No primeiro momento coletivamente e na sequência acolher as ideias da turma.

Atividades:
- Sublinhar no poema as palavras que rimam;
- Fazer uma lista de palavras que rimam com as destacadas no poema;
- Montar uma sequência gestual/corporal que represente a música (trabalho em pequenos grupos);
- Representar através de diferentes materiais a “casa engraçada” imaginada (trabalho individual ou em duplas)

 Reflexões:
Fiquei muito feliz com o resultado deste trabalho.  As crianças participaram de todas as atividades e sugeriram outras, como por exemplo, cantar e bater palmas, acompanhando o ritmo. Também sugeriram que ensaiassem para apresentar para os pequenos do 1º Ano o poema através do gestual/corporal.

Análise reflexiva

“Para ele (Vygotsky)[i], todo sujeito adquire seus conhecimentos a partir de relações interpessoais, de troca com o meio. Por isso, é chamado de interativo. Vygotsky afirma que aquilo que parece individual na pessoa, é na verdade resultado da construção da sua relação com o outro. Um outro coletivo, que veicula cultura.”

Com o objetivo de analisar e refletir sobre o relato apresentado em forma de planejamento de aula, traçarei algumas linhas, tendo como norteadores destas, os conceitos de Jean Piaget [ii]e Le Vygotsky[iii] à respeito do processo de construção de conhecimento e aquisição da linguagem.
Provocar os estudantes para que percebam o meio no qual estão inseridos, através das produções humanas é um mote generoso, pois a realidade apresentada através da poesia cria ambiências possíveis para diferentes posicionamentos e representações.
Esta sempre é a escolha que faço para o trabalho diário, elencando entre diversos títulos, seja música, parlenda, poesia, contos de fadas, entre outros as motivações para provocar alunas e alunos para que demonstrem o que pensam, sentem e a partir desta dinâmica possibilitar a aquisição de conhecimentos, a elaboração de questões pertinentes aos assuntos levantados pelos estudantes, representação daquilo que compreenderam, a apresentação de determinados conceitos e, quando possível à pesquisa destes pelos discentes.
Para o desenvolvimento do plano de aula postado acima, previ a interação entre os alunos e eu a partir da roda de conversa e posteriormente trabalhos em grupo e em duplas e o resultado foi muito bom, pois a situação dos moradores de rua provocaram diversos posicionamentos e a partir destes foi possível oferecer e escutar diferentes opiniões sobre aquela.
Considero que os sujeitos resultantes deste momento possam ser denominados “interativos” pela acepção Vygotskyana e também que o desenvolvimento da lógica foi possibilitada através da socialização da fala. (Montoya, 2006, p. 121)

Referências:
MOTOYA. Adrián Oscar Dongo. Pensamento e linguagem: percurso Piagetiano de investigação. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n. 1, p. 119-127, jan./abr. 2006 Disponível em: https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2390158/mod_resource/content/2/Percursos%20piagetianos.pdf Acesso em: 03/05/18



Interação

terça-feira, 1 de maio de 2018


                                    
                                 Currículo X Modo de produção
                                        
Sem dúvida alguma, os currículos elaborados pelos sistemas educacionais do século passado, percorrendo todo o século XX, foram influenciados pelos modos de produção daqueles períodos, dentre estes o Taylorismo & Fordismo, pois o aparato escolar é parte da sociedade.
De acordo com Santomé (1998, p.1)

Nas análises efetuadas a partir do final do século passado e durante todo o século XX, sobre o significado dos processos de escolarização e, consequentemente, sobre os conteúdos culturais que se manejam nos centros de ensino, chama poderosamente atenção à denúncia sistemática do distanciamento existente entre a realidade e as instituições escolares.

De fato, o afastamento do cotidiano é recorrente nas escolas, pois o planejamento assentado no currículo prevê que os alunos decorem fórmulas, localizem estados e países,  aprendam regras para dissertações, entre outras e não contemplam a reflexão, a discussão, defesa de pontos de vista, a concretização de ideias através da autoria, seja através da escrita, discurso ou pela representação plástica daquilo que foi elaborado coletivamente e individualmente.

Conforme JAPIASSU (1994, p. 48-55)

Em nosso sistema escolar, “ensina-se um saber fragmentado, que constitui um fator de cegueira intelectual, que decreta a morte da vida e que revela uma razão irracional.

A cegueira intelectual apontada por Japiassu é foto em sépia da realidade revelada  pelos índices de analfabetismo funcional demostrados pelo  Inaf[i]. Este demonstrou que 27% da população do país faz parte daquele grupo.
Para Machado (2017)[ii]
Não são poucos os brasileiros, principalmente na população adulta, que não conseguem dominar a leitura e a escrita nem entender o que leem, ou não sabem fazer cálculos, em diferentes níveis de escolaridade, inclusive com Ensino Superior completo.

Ainda Santomé (1998, p.4)

Este processo de desqualificação e atomização de tarefas ocorrido no âmbito da produção e da distribuição também foi reproduzido no interior dos sistemas educacionais. Tanto trabalhadores como estudantes verão negadas suas possibilidades de poder intervir nos processos produtivos e educacionais dos quais participam. A taylorização no âmbito educacional faz com que nem professores nem alunos possam participar dos processos de reflexão crítica sobre a realidade. A educação institucionalizada parece ter se reduzido exclusivamente a tarefas de custódia das gerações mais jovens. As análises dos currículos ocultos evidenciam que o que realmente se aprende nas salas de aula são habilidades relacionadas com a obediência e a submisão à autoridade (Santomé, 1998, p.4 apud Jackson, P.W., 1991; Torres, J., 1991)

Na passagem do século XX para o atual, o modelo de produção baseado nas ideias de Taylor e Ford não atende as exigências do mercado. O trabalho em equipe supera o trabalho individual, portanto é necessário que o trabalhador possa inferir, decidir, escolher, junto aos seus pares.

Santomé (1998, p.7) assevera:

Na filosofia toyotista[iii] existe uma organização e reorganização do trabalho de acordo com os princípios de flexibilidade horizontal e vertical e de multifuncionalidade. Pode-se afirmar que existe uma importante redescoberta do interesse da pessoa trabalhadora como elemento chave da rentabilidade e competitividade da empresa; existe o convencimento de que, sem sua cooperação e compromisso, é impossível aumentar a produtividade e melhorar a qualidade.

No que tange à mudança de paradigma no que se refere às alterações ocorridas nos planejamentos e currículos escolares, Santomé (1998, p.10) afirma que

[...] numerosas propostas pedagógicas que estão sendo divulgadas por instâncias ministeriais pertencentes ao próprio Governo, que atualmente também está contribuindo com a flexibilização dos mercados de trabalho, adquirem sentido se levarmos em consideração esta interdependência entre a esfera econômica e a educacional. Conceitos e propostas como as de ―descentralização‖, ―autonomia dos centros escolares‖, ―flexibilidade dos programas escolares‖, ―liberdade de escolha de instituições docentes‖, etc., têm sua correspondência na descentralização das grandes corporações industriais, na autonomia relativa de cada fábrica, na flexibilidade de organização para ajustar-se à variabilidade de mercados e consumidores, nas estratégias de melhora de produtividade baseada nos círculos de qualidade, na avaliação e supervisão central para controlar a validade e o cumprimento dos grandes objetivos da empresa, etc.


Portanto, é possível concluir que a escola, como parte da sociedade, sofre influência direta das escolhas de modelo econômico e administrativo que permeiam o tecido social e o resultado é a permanente disputa entre os indivíduos que se envolvem direta e indiretamente com a construção do conhecimento e a divulgação deste para as novas gerações e para aqueles sujeitos excluídos do processo.

Referências:
JAPIASSU, Hilton. A questão da interdisciplinaridade. Revista Paixão de Aprender. Secretaria Municipal de Educação, novembro, n°8, p. 48-55, 1994 Disponível em: https://moodle.ufrgs.br/course/view.php?id=51541 Acesso em: 01/05/18
MACHADO. Sandra. Os parâmetros do analfabetismo funcional. MultiRio. Rio de Janeiro, RJ. 2017 Disponível em: http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/12236-os-par%C3%A2metros-do-analfabetismo-funcional Acesso em: 01/05/2018
SATOMÉ. Jurjo Torres. Globalização e Interdisciplinaridade. O Currículo Integrado. Dispoível em https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2399549/mod_resource/content/1/As%20origens%20da%20modalidade%20de%20curr%C3%ADculo%20integrado%20de%20Santom%C3%A9.pdf Acesso em: 01/05/18
__________ibdi., p.4.
__________ibid., p.7.
__________ibid., p.10




segunda-feira, 30 de abril de 2018


                                 

Inovação pedagógica

Inovação pedagógica é o rompimento com um paradigma através do arcabouço teórico e dialógico fundamentados nas teorias que versam sobre saberes produzidos ao longo da história humana.

De acordo com CUNHA (2004, p.8)

[...] Tardif, Lessard & Lahye (1991) chamavam a atenção para a importância de considerar que os professores são produtores de saberes e que estes são plurais na sua constituição e natureza. Apontavam três tipos de saberes como constituintes da docência: os saberes das disciplinas, os saberes curriculares e os saberes da experiência.


Enquanto docente, o sujeito não declina de suas experiências ao planejar e/ou interagir com os discentes, nem tampouco deriva da intencionalidade pedagógica por não ter a resposta para uma questão. A inovação acompanha o fazer didático se for analisado como interações constantes e estas são repletas de signos e significantes que tornam-se concretos somente no momento em que são nomeados/sugeridos por um/a aluno/a.

Conforme CUNHA (2004, p.12) [...] A inovação existe em determinado lugar, tempo e circunstância, como produto de uma ação humana sobre o ambiente ou meio social.


Referências:
CUNHA. Maria Isabel. Inovações pedagógicas e a reconfiguração de saberes no ensinar e no aprender na universidade. VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Centro de Estudos Sociais, Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra, Portugal, 16 a 18 de setembro de 2004.
_______ibdi., p. 12.



domingo, 29 de abril de 2018



                                  Linguagem e conhecimento

Com o propósito de evidenciar as relações entre as teorias de Jean Piaget [i]e Lev Vygotsky[ii] quanto ao processo de conhecimento e aquisição da linguagem, dissertarei com base no texto[iii], no PPT e no vídeo[iv] indicados pela Interdisciplina Linguagem e Educação.
Sem dúvida alguma, há um ponto em comum quanto à elaboração das teses à respeito da aquisição da linguagem e o processo de conhecimento desenvolvidas por Piaget e Vygotsky, qual seja, as interações do sujeito no meio, junto aos seus pares impactam sobre o desenvolvimento das funções psicológicas superiores (percepção, memória, pensamento, atenção) e no desenvolvimento humano.
De acordo com Montoya (2006, p.121)

[...] Vygotsky destaca a coincidência de sua hipótese com a hipótese explicativa de Piaget daquela época, pois para ele o desenvolvimento da lógica na criança é uma função direta de sua fala socializada.
Basicamente, o desenvolvimento da fala interior depende de fatores externos: o desenvolvimento da lógica na criança, como os estudos de Piaget demonstram, é uma função direta de sua fala socializada. O crescimento intelectual da criança depende de seu domínio dos meios sociais do pensamento, isto é, da linguagem (Vygotsky, 1991 p.44).

Tanto Vygotsky quanto Piaget analisaram o desenvolvimento interno a partir das interações sociais do indivíduo no meio. Para Vyotsky, o plano interno é resultado da internalização resultante das ações no meio social, mediadas através da linguagem e conforme Montoya (2006, p. 124), Piaget defende que

 A evolução da ação do indivíduo depende da evolução das relações nas quais este se encontra inserido, e isso reciprocamente. Nessa evolução a idéia de socialização se encontra intimamente relacionada com a cooperação: socializar significa compartilhar noções e signos com uma comunidade de falantes e ao mesmo tempo distingui-los das próprias idiossincrasias e dos pontos de vista particulares.


Os sujeitos são ativos no processo de desenvolvimento humano, que contempla entre outros, aquisição da linguagem e na elaboração do conhecimento.
          De acordo com  Motoya (2006, p.126)
[...] para Piaget, a tese teórica maior para explicar a evolução do comportamento humano, incluídas a inteligência e a linguagem, é da continuidade com reconstrução das estruturas anteriormente adquiridas. Entretanto, isso não significa o abandono da necessária ação das relações sociais na formação do pensamento conceitual; pelo contrário, para ele, permanece a explicação da evolução do pensamento em função das interações sociais, como nas suas teses iniciais, mas na condição de permanecer garantida a atividade de processos internos e a continuidade, com reconstrução, de conquistas anteriormente alcançadas.


Da mesma forma, Vygotsky defende que o indivíduo não é passivo no que concerne à formação intelectual e na construção do conhecimento,
Diante disso, é importante considerar que para Piaget e Vygotsky as ações dos sujeitos são fundamentais para a aquisição da linguagem e no processo de conhecimento.

Referências:
MONTOYA. Adrián Oscar Dongo. Pensamento e Linguagem: percurso Piagetiano de investigação. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n. 1, p. 119-127, jan./abr. 2006
____ibid., p. 124.
____ibid., p. 126.

quinta-feira, 26 de abril de 2018





Como é essa escola?
A cena[i]. Cinco personagens. Modelos e pressupostos pedagógicos distintos. Uma Instituição.

Sem dúvida alguma, o sistema de ensino possui leis, decretos, artigos que definem quais os pressupostos que balizarão os planejamentos das unidades que compõem aquele, tanto quanto nortearão o planejamento das/os professoras/ES, porém a escolha do modelo epistemológico é feito a partir de convicções pessoais. Portanto, teremos na mesma unidade de ensino, parte do sistema educacional, diferentes modelos pedagógicos.
De acordo com a cena apresentada pela Interdisciplina SI VII, os atores representam três professoras, que atuam a partir dos pressupostos epistemológicos Empirismo, Construtivismo, Apriorismo respectivamente. O professor advoga diferentes modelos para as escolas nas quais atua, pois concluiu que as/os alunas/os da instituição particular acompanham um planejamento robusto, exigente e as/os estudantes em questão não teriam condições de acompanhar a mesma elaboração e o Diretor está preocupado com a indisciplina que é revelada pela bagunça presenciada pelo mesmo.
Como é essa Escola? Como defini-la? Ou não há como defini-la?
Ou ainda, se a escola acolhe diferentes modelos e pressupostos epistemológicos e tem na Direção um professor que defende o Modelo Diretivo/ pressuposto epistemológico Empírico, que de acordo com Becker (1994, p.03) [...] “esta pedagogia, legitimada pela epistemologia empirista, configura o próprio quadro da reprodução da ideologia; reprodução do autoritarismo, da coação, da heteronomia, da subserviência, do silêncio, da morte da crítica, da criatividade, da curiosidade” aquela pode ser considerada uma Escola, ou várias?
Certamente é uma Escola com desafios a serem enfrentados e a cena apresenta dois casos de superação no que tange ao autoritarismo, quais sejam, a professora Margarida mudou as estratégias e recursos para que as/os estudantes fossem os atores centrais no processo ensino-aprendizagem.
Conforme Rosanei Tosto (2011, p.02)

“Esses ambientes de ensino colocam os alunos como atores centrais do processo educacional, ao engajar estudantes em cada aspecto das operações da Escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança.”

Além disso, a professora Rosa elaborou uma estratégia na qual as/os alunas/os tem acolhidas suas ideias, porém ainda requer que aquela desenvolva o papel de mediador das relações interpessoais e facilitador do descobrimento, conforme Tosto (2001. p.04)
Diante destas alternativas, a professora Orquídea, que dedica horas e empenho na elaboração do planejamento e apesar disso as/os alunas/os não aprendem e o professor Cravo, autor de diferentes planejamentos, um para a escola particular e para a Escola em questão, pois as/os estudantes “de lá” são capazes e os “daqui” não o são, poderão perceber no decorrer do tempo que é necessário outorgar espaço para que as/os/ estudantes possam sentir-se parte do processo ensino-aprendizagem.
Conforme o quadro apresentado pela cena é possível concluir que essa Escola é passível de construir uma proposta que dê início à construção de uma escola democrática que é, de acordo com Tosto (2011, p.02)

[...] “uma escola que se baseia em princípios democráticos, em especial na democracia participativa, dando direitos de participação iguais para estudantes, professores e funcionários.”

Por outro lado, o movimento resultante, que deriva de ações concretas como as formuladas e desenvolvidas pelas professoras Margarida e Rosa, impactam nas ideias que as/os estudantes fazem do ensino-aprendizagem e o resultado é percebido pelas/os responsáveis que terão despertada a curiosidade pela mudança ocorrida no rendimento e interesse das/os filhas/os nas atividades escolares.
Enfim, há caminhos para serem percorridos, baseados nas ciências relativas à Educação, e que devem ser a base dos planejamentos e estudos por parte de todas/os envolvidos nos processos que envolvem Desenvolvimento e Aprendizagem.

REFERÊNCIAS:
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.
TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011. Disponível em: <http://docplayer.com.br/7270548-Escolas-democraticas-utopia-ou-realidade.html>. Acesso em: 10 abr. 2018.



                                    

                              Aprendizagem e sensibilidade

          Escrita desenvolvida a partir da atividade proposta pela Interdisciplina Didática, Planejamento e Avvaliação[i]

Como você imagina que este material didático era utilizado nas atividades escolares?
Penso que o material era utilizado após os alunos fazerem experiências sensoriais, brincadeiras, conversas sobre assuntos pertinentes à infância e  música a permear as atividades. Após as atividades, eram apresentadas as unidades fônicas/grafemas, as atividades lúdicas/pedagógicas.

Você encontra no seu cotidiano escolar elementos da pedagogia do Comênio? Elabore um pequeno texto analisando as relações entre as ideias deste autor e seu contexto de trabalho.
Sem dúvida alguma, encontramos no cotidiano escolar elementos da pedagogia de Comênio, porém aqueles não fazem parte do planejamento pedagógico das escolas, mas no planejamento individual, ou seja, algumas/ns professoras/es pensam as aulas do mesmo modo como Comênio propôs que fossem preparadas e desenvolvidas.
Uma vez que algumas/ns professoras/es planejam as aulas cuidando da motivação das crianças, a partir das necessidades e capacidades daquelas, do estímulo para que a natureza seja percebida através dos sentidos, observando a alternância entre descanso, brincadeiras, música, conversa e atividades dirigidas, há entre as ideias de Comênio e estas/es professoras/es similaridades.
De acordo com Comênio

“A proa e a popa da nossa Didáctica será investigar e descobrir o método segundo o qual os professores ensinem menos e os estudantes aprendam mais; nas escolas, haja menos barulho, menos enfado, menos trabalho inútil”[...] Excerto de DIDÁTICA MAGNA Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo a Todos, de João Amos Komensky (Comênio)[ii]


Portanto, urge que as escolas planejem aulas que sejam sedutoras, acolhedoras das capacidades e necessidades das crianças para que todas/os professoras/as “ensinem menos e as crianças aprendam mais”.



 Leia a abertura do livro “DIDÁCTICA MAGNA - Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo a Todos” e elenque as ideias pedagógicas que você encontrar.
VII.  A formação do homem faz-se com muita facilidade na primeira idade, e chego a dizer que não pode fazer-se senão nessa idade.
VIII.  É necessário, ao mesmo tempo, formar a juventude e abrir escolas.
IX.  Toda a juventude de ambos os sexos deve ser enviada às escolas.
X. Nas escolas, a formação deve ser universal.
XVI.  Requisitos para ensinar e para aprender, isto é, como se deve ensinar e aprender para que seja impossível não obter bons resultados.
XVII.  Fundamentos para ensinar e aprender com facilidade.
XVIII.  Fundamentos para ensinar e aprender solidamente.
XIX.  Fundamentos para ensinar com vantajosa rapidez.
XX.  Método para ensinar as Ciências em geral.
XXI.  Método para ensinar as Artes.
XXII.  Método para ensinar as Línguas.
XXIII.  Método para ensinar a Moral.
XXVI.  Da disciplina escolar.
XXVII.  As instituições escolares devem ser de quatro graus, em conformidade com a idade e com o aproveitamento.
XXVIII.  Plano da escola materna.
XXIX.  Plano da escola de língua nacional.
XXX.  Plano da escola latina.
XXXI.  Da Academia, das viagens e da associação didática.

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                                                Signos e modelos 

         A partir da atividade proposta pela Interdisciplina DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO, dissertei sobre algumas questões, abaixo elencadas.

  1. Quais seriam seus desafios frente a essa criança?

Sem dúvida alguma seria instiga-lo a percorrer diferentes caminhos, desbravar dificuldades, oferecer diferentes leituras e interpretações do mundo, através de imagens, sons, textos, ou seja, produções de diferentes ideias do mundo que nos cerca para que o nosso menino[i] posso sentir-se à vontade para interpretá-lo a sua maneira. Desta forma, a sensibilidade daquele estaria preparada para sorver/fruir/sentir o mundo que o rodeia.
O menino tornou-se refém de modelos de representação do mundo, pois só havia o modelo imposto/oferecido pela professora que a seu turno também repetia o que lhe foi apresentado enquanto aluna.
De acordo com Miguel Arroyo, 2002, p.124


 [...] “as lembranças dos mestres que tivemos podem ter sido nosso primeiro aprendizado como professores. Suas imagens nos acompanham como as primeiras aprendizagens” [...]



Os modelos pedagógicos e epistemológicos demonstram como as ações desenvolvidas em sala de aula impactam na aprendizagem e no desenvolvimento da criança, portanto é necessário e indispensável conhecê-los para, como mediadores do conhecimento, escolher as estratégias que possam habilitar os indivíduos (criança, adolescente, adulto) a “não andar a reboque[ii] da história, mas para fazer história; para ser sujeito, portanto.” Fernando Becker



  1. Quais atividades você, enquanto professor/a,desenvolve com seus alunos de modo a possibilitar que estes cresçam com autonomia e desenvolvam sua criatividade?

O planejamento diário prevê uma obra literária, direcionada para a faixa etária e, a partir desta realizo roda de conversa, na qual as crianças relatam fatos e fazem comentários relativos ao enredo daquela. Dos livros apresentados compilo as imagens para que possam perceber diferentes traços, comentando que estes são autorais, os gêneros literários são apresentados em diferentes versões e sobre estas destaco igualmente a autoria.
No que tange à criatividade, penso ser necessário o estímulo constante para que representem livremente.
Para Becker[iii]


 “Trata-se, também, de recriar cada conhecimento que a humanidade já criou (pois não há outra forma de entender-se a aprendizagem, segundo a psicologia genética piagetiana - só se aprende o que é (re)criado para si e, sobretudo, de criar conhecimentos novos: novas respostas para antigas perguntas e novas perguntas refazendo antigas respostas; e, não em última análise, respostas novas para perguntas novas.”


  1. Que marcas da sua prática pedagógica você gostaria de deixar nos seus alunos?

Indiscutivelmente, gostaria que os signos da curiosidade, criatividade, autoria, busca pela novidade, coragem, autonomia, respeito pelo Outro e pelo conhecimento engendrado pela humanidade e este passível de ser recriado sejam as marcas principais daqueles indivíduos que eu puder privar no âmbito escolar e fora deste.
Conforme Becker[iv]


“O resultado dessa sala de aula é a construção e a descoberta do novo, é a criação de uma atitude de busca, e de coragem que esta busca exige. Esta sala de aula não reproduz o passado pelo passado, mas debruça-se sobre o passado porque aí se encontra o embrião do
futuro. Vive-se intensamente o presente na medida em que se constrói o futuro, buscando no passado sua fecundação.”





                                            Estudo e pesquisa: exigência docente        Ensejando a continuidade dos estudos e porvent...